domingo, 26 de abril de 2026

Trovadorismo (material para estudo)


Slides Trovadorismo 

Contexto Histórico do Trovadorismo 

Cantigas Trovadorescas 

Novelas de Cavalaria - O Santo Graal 

 

 

LISTA DE QUESTÕES DO TROVADORISMO COM GABARITO.

 

Questão 1

Sobre as características do trovadorismo é incorreto afirmar:

a) o trovadorismo é uma escola literária medieval que surgiu na França.
b) a principal manifestação literária do trovadorismo são as cantigas.
c) a poesia palaciana pertence ao movimento literário do trovadorismo.
d) o trovadorismo e o humanismo são movimentos literários medievais.
e) os cancioneiros são coletâneas de cantigas de diversos autores.

 

Questão 2

Os tipos de cantigas trovadorescas são:

a) líricas e satíricas
b) líricas e religiosas
c) líricas e pastoris
d) religiosas e satíricas
e) pastoris e satíricas

 

Questão 3

I. As poesias palacianas eram produzidas para serem declamadas, enquanto as cantigas trovadorescas para serem cantadas.
II. As cantigas satíricas trovadorescas são subdividas em dois tipos: cantigas de escárnio e cantigas de maldizer.
III. O trovadorismo é uma escola literária de transição que marcou o fim da Idade Média.

a) I
b) I e II
c) I e III
d) II e III
e) I, II e III

 

Questão 4

(Mackenzie) Assinale a alternativa incorreta a respeito do Trovadorismo em Portugal.

a) Durante o Trovadorismo, ocorreu a separação entre poesia e a música.
b) Muitas cantigas trovadorescas foram reunidas em livros ou coletâneas que receberam o nome de cancioneiros.
c) Nas cantigas de amor, há o reflexo do relacionamento entre o senhor e vassalo na sociedade feudal: distância e extrema submissão.
d) Nas cantigas de amigo, o trovador escreve o poema do ponto de vista feminino.
e) A influência dos trovadores provençais é nítida nas cantigas de amor galego-portuguesas.

 

Questão 5

Sobre a linguagem do trovadorismo português é correto afirmar:

a) utilizava a norma culta e a língua latina para expressar o amor cortês.
b) era popular e produzida para ser cantada pelos jograis.
c) era essencialmente descritiva e satírica.
d) foi produzida em galego-português para ser declamada nas cortes.
e) era dialógica e contra as críticas religiosas.

 

Questão 6

(Mackenzie) Assinale a alternativa INCORRETA a respeito das cantigas de amor.

a) O ambiente é rural ou familiar.
b) O trovador assume o eu-lírico masculino: é o homem quem fala.
c) Têm origem provençal.
d) Expressam a 'coita' amorosa do trovador, por amar uma dama inacessível.
e) A mulher é um ser superior, normalmente pertencente a uma categoria social mais elevada que a do trovador.

 

Questão 7

(UFMG) Interpretando historicamente a relação de vassalagem entre homem amante/mulher amada, ou mulher amante/homem amado, pode-se afirmar que:

a) o Trovadorismo corresponde ao Renascimento.
b) o Trovadorismo corresponde ao movimento humanista.
c) o Trovadorismo corresponde ao Feudalismo.
d) o Trovadorismo e o Medievalismo só poderiam ser provençais.
e) tanto o Trovadorismo como Humanismo são expressões da decadência medieval.

 

Questão 8

(Espcex-Aman) É correto afirmar sobre o Trovadorismo que

a) os poemas são produzidos para ser encenados.
b) as cantigas de escárnio e maldizer têm temáticas amorosas.
c) nas cantigas de amigo, o eu lírico é sempre feminino.
d) as cantigas de amigo têm estrutura poética complicada.
e) as cantigas de amor são de origem nitidamente popular.

 

Questão 9

(ESPM) O amor cortês foi um gênero praticado desde os trovadores medievais europeus. Nele a devoção masculina por uma figura feminina inacessível foi uma atitude cons­tante. A opção cujos versos confirmam o exposto é:

a) Eras na vida a pomba predileta (...) Eras o idílio de um amor sublime. Eras a glória, - a inspiração, - a pátria, O porvir de teu pai! (Fagundes Varela)


b) Carnais, sejam carnais tantos desejos, Carnais sejam carnais tantos anseios, Palpitações e frêmitos e enleios Das harpas da emoção tantos arpejos... (Cruz e Sousa)


c) Quando em meu peito rebentar-se a fibra, Que o espírito enlaça à dor vivente, Não derramem por mim nenhuma lágrima Em pálpebra demente. (Álvares de Azevedo)


d) Em teu louvor, Senhora, estes meus versos E a minha Alma aos teus pés para cantar-te, E os meus olhos mortais, em dor imersos, Para seguir-lhe o vulto em toda a parte. (Alphonsus de Guimaraens)


e) Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer amar e malamar, amar, desamar, amar? (Manuel Bandeira)

 

Questão 10

A imagem da dama, mostrada na charge, comparada ao conjunto de cantores a executar uma cantiga, é desproporcional. Isso reflete a superioridade da senhora contrapondo-se à atitude servil dos cantores. Essa submissão, essa necessidade de prestar serviço a sua senhora, foi tema presente nas cantigas de amor, como pode ser comprovado nos versos

A) “Pois, senhora, conquanto apenas dor
E nenhuma alegria me causeis,
Se soubésseis o mal que me fazeis,
Posso jurar – perdoa-me, Senhor! –
Que sentíreis compaixão de mim.”

B) “Já que assim é, eu venho-vos rogar
que queirais pelo menos consentir
que passe a minha vida a vos servir,
e que possa dizer em meu cantar
que esta mulher, que em seu poder me tem,
sois vós, senhora minha, vós, meu bem;”

C) “Quero eu a maneira de um provençal
Fazer agora um cantar d’amor
E quererei muito louvar minha senhora,
A quem mérito e formosura não faltam.”

D) “Piedade já não pode haver
No universo para os mortais.
Se aquela que a devia ter
Não tem, quem a terá jamais?
Ah! Como acreditar que alguém
De olhar tão doce e clara fronte
Deixe que eu morra sem beber
Água de amor em sua fonte?”

 

Questão 11

Considere as afirmações sobre a cantiga de amigo e assinale a alternativa verdadeira:

I. Seu tema fundamental é a morte por amor.
II. Caracterizam, na forma, pelo leixa-pren, paralelismo e refrão.
III. As Alvas são um sub-gênero que tematiza um convite à dança.
IV. Nas Cantigas de peregrinação, como exigência do sub-gênero, o casal apaixonado se encontra em capelas, ermidas ou santuários.
V. No sub-gênero Barcarola, tematizam-se as grandes navegações.

A) todas estão corretas;
B) somente estão corretas I e V;
C) somente estão erradas III e IV;
D) somente estão corretas II e IV;
E) somente estão corretas II e III.

 

Questão 12

O Trovadorismo é um movimento literário que se estende de, aproximadamente, 1189, com a publicação da "Canção Ribeirinha", até 1434, ano em que Fernão Lopes assume o cargo de cronista-mor da Torre do Tombo. Durante esse período, surgem importantes manifestações em diferentes gêneros, como a poesia, a prosa e o teatro.

Assinale a alternativa que apresenta a correta subdivisão da poesia trovadoresca:

A Poesia Épica e Poesia Lendária.

B Poesia Elegíaca e Poesia Romântica.

C Poesia Lírico-narrativa e Poesia Dramática.

D Poesia Lírica e Poesia Satírica.

 

Questão 13

O Trovadorismo, quanto ao tempo em que se instala:

(A) tem concepções clássicas do fazer poético.

(B) é rígido quanto ao uso da linguagem que, geralmente, é erudita.

(C) estabeleceu-se num longo período que dura 10 séculos.

(D) tinha como concepção poética a epopeia, a louvação dos heróis.

(E) reflete as relações de vassalagem nas cantigas de amor.

 

Questão 14

Texto I

Ondas do mar de Vigo,

se vistes meu amigo!

E ai Deus, se verrá cedo!

Ondas do mar levado,

se vistes meu amado!

E ai Deus, se verrá cedo!

 

Martim Codax

Obs.: verrá = virá

levado = agitado

 

a) Nessa cantiga de amigo, o eu lírico masculino manifesta a Deus seu sofrimento amoroso.

b) Nessa cantiga de amor, o eu lírico feminino dirige-se a Deus para lamentar a morte do ser amado.

c) Nessa cantiga de amigo, o eu lírico masculino manifesta às ondas do mar sua angústia pela perda do amigo em trágico naufrágio.

d) Nessa cantiga de amor, o eu lírico masculino dirige-se às ondas do mar para expressar sua solidão.

e) Nessa cantiga de amigo, o eu lírico feminino dirige-se às ondas do mar para expressar sua ansiedade com relação à volta do amado.

 

Questão 15

(UM-SP) – Nas cantigas de amor,

a) o trovador expressa um amor à mulher amada, encarando-a como um objeto acessível a seus anseios.

b) o trovador velada ou abertamente ironiza personagens da época.

c) o “eu-lírico” é feminino, expressando a saudade da ausência do amado.

d) o poeta pratica a vassalagem amorosa, pois, expressa seu amor à mulher amada, colocando-a em posição superior.

e) existe a expressão de um sentimento feminino, apesar de serem escritas por homens.

 

Questão 16

CANTIGA (TROVADORISMO)

 

A dona que eu sirvo e que muito adoro

Mostrai-ma, ai Deus! Pois vos imploro,

Senão, dai-me a morte.

 

Essa que é luz destes olhos meus

Por quem sempre choram, mostrai-ma, ai Deus!

Senão, dai-me a morte.

 

Essa que entre todas fizeste formosa,

Mostrai-ma, ai Deus! Onde vê-la eu possa,

Senão, dai-me a morte.

 

A que me fizestes mais que tudo amar,

Mostrai-ma onde possa com ela falar,

Senão, dai-me a morte.

 

(Bernardo de Bonaval)

 

A cantiga é classificada como:

a) cantiga de amor.

b) cantiga de maldizer.

c) cantiga de escárnio.

d) cantiga de amigo.

 

Questão 17

Sobre o Trovadorismo em Portugal, é correto afirmar que:

a) sua produção literária está escrita em galego ou galaico- português e divide-se em: poesia (cantigas) e prosa (novelas de cavalaria).

b) utilizou largamente o verso decassílabo porque sua influência é clássica.

c) a produção poética daquela época pode ser dividida em lírico-amorosa e prosa doutrinária.

d) as cantigas de amigo têm influência provençal.

e) a prosa trovadoresca tinha claro objetivo de divertir a nobreza, por isso têm cunho satírico.

 

Questão 18

“No século XII, em Portugal e na Galiza, floresceu uma importante poesia de inspiração provençal, que se tornou uma das mais expressivas manifestações literárias europeias do período, composta não exatamente em português, mas em galego-português. Apenas alguns séculos depois esses idiomas se separariam, formando as modernas línguas de Portugal e da Galiza. Na verdade, não se tratava de poesia como a conhecemos hoje. Os versos eram todos musicados.”

 

Analise as afirmações a seguir:

I. O texto se refere ao período literário conhecido por Trovadorismo.

II. O marco inicial desse movimento citado no texto é a nomeação de Fernão Lopes para o cargo de cronista-mor da Torre do Tombo em 1434.

III. No Trovadorismo encontramos as cantigas medievais (divididas em líricas e satíricas) e as novelas de cavalaria.

 

Está (ão) correta (s)?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas I e III.

d) Apenas II e III.

e) I, II e III.

 

Questão 19

Nas mais importantes novelas de cavalaria que circularam na Europa medieval, principalmente como propaganda das Cruzadas, sobressaem-se:

a) as namoradas sofredoras, que fazem bailar para atrair o namorado ausente.

b) os cavaleiros medievais, concebidos segundo os padrões da nobreza e da honra (por que lutam).

c) as namorada castas, fiéis, dedicadas, dispostas a qualquer sacrifício para ir ao encontro do amado.

d) os namorados castos, fiéis, dedicados que, entretanto, são traídos pelas namoradas sedutoras.

e) os cavaleiros sarracenos, eslavos e infiéis, inimigos da fé cristã.

 

Questão 20

Releia com atenção a estrofe:

 

Fez-se de amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.

(Vinícius de Moraes)

 

Tomemos a palavra AMIGO. Todos conhecem o sentido com que esta forma lingüística é usualmente empregada no falar atual. Contudo na Idade Média, como se observa nas catingas medievais, a palavra amigo significou:

a) colega

b) companheiro

c) namorado

d) simpático

e) acolhedor

 

Questão 21

O teatro de Gil Vicente caracteriza-se por ser fundamentalmente popular. E essa
característica manifesta-se, particularmente, em sua linguagem poética, como ocorre
no trecho a seguir, de O Auto da Barca do Inferno.

Ó Cavaleiros de Deus,
A vós estou esperando,
Que morrestes pelejando
Por Cristo, Senhor dos Céus!
Sois livres de todo o mal,
Mártires da Madre Igreja,
Que quem morre em tal peleja
Merece paz eternal.

No texto, fala final do Anjo, temos no conjunto dos versos

(A) variação de ritmo e quebra de rimas.
(B) igualdade de métrica e de esquemas das palavras que rimam.
(C) ausência de ritmo e igualdade de rimas.
(D) alternância de redondilha maior e menor e simetria de rimas.
(E) redondilha menor e rimas opostas e emparelhadas.

 

 

Questão 22

“Ai dona fea! foste-vos queixar

porque vos nunca louv’em meu trobar

mais ora quero fazer um cantar

em que vos loarei toda via

e vedes como vos quero loar:

dona fea, velha e sandia!”

 

Assinale a informação correta a respeito do trecho de João Garcia de Guilhade:

a) é cantiga satírica

b) foi o primeiro documento escrito em língua portuguesa (1189)

c) trata-se de cantiga de amigo

d) foi escrita durante o Humanismo (1418-1527)

e) faz parte do Auto da Feira

 

Questão 23

Leia o texto adaptado abaixo.

Un cavalo non comeu

á seis meses nen s’ergueu

mais prougu’a Deus que choveu,

creceu a erva,

e per cabo³ si paceu⁴,

e já se leva5!

 

Seu dono non lhi buscou

cevada neno ferrou:

mai-lo bon tempo tornou,

creceu a erva,

e paceu, e arriçou,

e já se leva!

 

prougu’a¹: prouve

erva²: mato

per cabo³: por fim

paceu⁴: pastou

leva5: levanta

 

A leitura permite afirmar que se trata de uma cantiga de:

a) Escárnio, em que se critica a atitude do dono do cavalo, que dele não cuidara, mas graças ao bom tempo e à chuva, o mato cresceu e o animal pôde recuperar-se sozinho.

b) Amor, em que se mostra o amor de Deus com o cavalo que, abandonado pelo dono, comeu a erva que cresceu graças à chuva e ao bom tempo.

c) Escárnio, na qual se conta a divertida história do cavalo que, graças ao bom tempo e à chuva, alimentou-se, recuperou-se e pôde, então, fugir do dono que o maltratava.

d) Amigo, em que se mostra que o dono do cavalo não lhe buscou cevada nem o ferrou por causa do mau tempo e da chuva que Deus mandou, mas mesmo assim o cavalo pôde recuperar-se.

e) Maldizer, satirizando a atitude do dono que ferrou o cavalo, mas esqueceu-se de alimentá-lo, deixando-o entregue à própria sorte para obter alimento.

 

Questão 24

O Trovadorismo foi uma escola literária que ocorreu sobretudo na Baixa Idade Média. No Trovadorismo,

a) as poesias eram metrificadas, feitas com a intenção de publicação em livros e escrituras.

b) as poesias eram chamadas de cantigas, feitas com a intenção de serem apresentadas junto de instrumentos musicais.

c) as poesias eram chamadas de cantigas, feitas com a intenção de comporem os livros de canções da época.

d) as poesias eram elaboradas livremente, feitas sem a preocupação com a publicação em livros ou antologias.

e) as poesias eram elaboradas livremente, feitas sem a preocupação da aprovação pública.

 

 

Questão 25

TEXTO I

Frankenstein da Vila

Boa impressão nunca se tem

Quando se encontra um certo alguém

Que até parece um Frankenstein

Mas como diz o rifão: por uma cara feia

perde-se um

bom coração

Entre os feios és o primeiro da fila

Todos reconhecem lá na Vila

Essa indireta é contigo

E depois não vá dizer

Que eu não sei o que digo

Sou teu amigo

BATISTA, W. Frankenstein da V ila. Disponível em: http://letras.mus.br. Acesso em: 20 jan. 2014.

 

TEXTO II

Ai, dona feia, foste-vos queixar

de que nunca vos louvo em meu trovar e

umas trovas vos quero dedicar

em que louvada de toda maneira sereis,

tal é o meu louvar:

dona feia, velha e gaiteira *

 

Ai, dona feia, se com tanto ardor quereis

que vos louve, como trovador, trovas

farei e de tal teor

em que louvada de toda maneira sereis,

tal é o meu louvor:

dona feia, velha e gaiteira

 

Ai, dona feia, nunca vos louvei

em meu trovar, eu que tanto trovei e

eis que umas trovas vos dedicarei em

que louvada de toda maneira sereis e

assim vos louvarei:

dona feia, velha e gaiteira

 

GUILHADE, J. G. Ai, Dona feia,foste-vos queixar .

 

Disponível em: http://www.vidaempoesia .com.br. Acesso em: 2 1mar. 2014.

*gaiteira: assanhada

 

O primeiro texto é um samba de 1935 composto por Wilson Batista e integra uma guerra musical declarada contra Noel Rosa, importante sambista carioca. O Texto II, escrito no século XIII, é do trovador português João Garcia de Guilhade e considerado uma canção de escárnio. Relacionando os procedimentos de construção dos textos literários citados, verifica-se que

a) como na cantiga medieval, o samba de Wilson Batista refere-se diretamente a quem se quer provocar.

b) o samba é irônico, pois considera seu alvo como um amigo, logo não pode chamá-lo de feio, diferente da relação do trovador com a “dona feia”.

c) o uso da primeira pessoa nas composições tem por objetivo ocultar a verdadeira opinião do compositor.

d) João Garcia de Guilhade, da mesma forma que Wilson Batista, considera o alvo da troça um bom amigo, apesar de sua aparência física.

e) ambos constroem composições zombando da aparência física daqueles a quem destinam suas composições, não revelando explicitamente quem seria a pessoa atingida.

 

Questão 26

Auto da Barca do Inferno

(Aproxima-se um corregedor com uma vara na mão e diz chegando à Barca do Inferno:)

Corregedor – Hou da barca?

Diabo – Que quereis?

Corregedor – Está aqui o senhor juiz.

Diabo – Oh amador de perdiz* / quantos processos trazeis?

Corregedor – Por trazê-los, bem vereis, / venho muito contrafeito.

Diabo – Como anda lá o Direito?

Corregedor – Nos autos constatareis.

Diabo – Ora, pois, entrai, vejamos / o que dizem tais papéis.

Corregedor – Para onde vai o batel?

Diabo – No inferno nós ancoramos.

Corregedor – Como? À terra dos demônios / há de ir um corregedor? […]

Diabo – Ora, entrai nos negros fados. / Ireis ao lago dos cães / e vereis os escrivães / como

estão bem prosperados.

Corregedor – Vão à terra dos danados / os novos evangelistas?

Diabo – Os mestres das fraudes vistas / lá estão bem atormentados […]

*“amador de perdiz” – referência ao fato de os juízes aceitarem, como agrado, a doação de coelhos e perdizes.

VICENTE, GIL. Três autos: da alma; da barca do inferno; de Mofina Mendes. Livre adaptação de Walmir Ayala. Rio de Janeiro: Ediouro; São Paulo: Publifolha, 1997. p. 145 -153.

Sobre o trecho da cena transcrito e a obra de onde foi extraído, é correto afirmar:

I. A cena se inicia com a chegada do corregedor, que é representante do judiciário, à Barca do Inferno, quando o Diabo lhe dirige a primeira acusação: a de corrupção, por manipular a justiça em benefício próprio, com a aceitação de suborno sob a forma de presentes ou doações.

II. Na obra, através de farta argumentação e de provas forjadas, o corregedor consegue convencer o Diabo e o Anjo de sua inocência. Por isso, após ser perdoado, aceita o pedido de desculpas de ambos e se encaminha para a Barca do Paraíso, onde é recebido com muitos festejos e intensa louvação.

III. Na obra, o autor, para relativizar os conceitos de bem e mal, de certo e errado, evitando uma perspectiva maniqueísta, coloca circunstâncias em que o Anjo e o Diabo trocam de papéis e passam a dirigir, respectivamente, a Barca do Inferno e a Barca da Glória. Com isso, o julgamento se torna mais preciso e a punição mais justa.

IV. O cenário da obra é um porto onde se encontram ancoradas duas barcas: uma, guiada pelo Diabo, tem como destino o inferno; outra, guiada por um Anjo, leva ao paraíso. Nelas são acomodadas as pessoas que se aproximam e que já morreram, selecionadas pelo Diabo ou pelo Anjo, segundo sua conduta quando estavam vivas.

V. A obra é uma sátira social e moral, pois veicula críticas aos costumes impróprios ou pecados de figuras poderosas da época, que são julgadas e punidas com a condenação ao inferno. Trata-se de uma temática que, embora contextualizada no século XVI, em Portugal, guarda certa atualidade e pertinência com questões contemporâneas.

A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a

A) I e III.

B) II e IV.

C) II e V.

D) I, IV e V.

E) II, III, e V.

 

Questão 27

O Texto II mostra um diálogo entre o Diabo e a segunda personagem, o Onzeneiro, quando chega à Barca do Inferno. Leia-o para responder à questão proposta. 

Texto II 

ONZENEIRO: Para onde caminhais?

DIABO: Oh! Que má-hora venhais,

onzeneiro meu parente!

[…] 
DIABO: Ora mui muito me espanto

não vos livrar o dinheiro.

ONZENEIRO: Nem tão só para o barqueiro

não me deixaram nem tanto.

[…]
E para onde é a viagem?

DIABO: Para onde tu hás-de ir;

estamos para partir,

não cures de mais linguagem.

[…] 

VICENTE, Gil. Auto da Barca do Inferno. São Paulo: FTD, 1997. 

 

O Diabo ouve o pretexto do Onzeneiro, mas não se deixa levar pelos artifícios da eloquência do passageiro. Essa atitude do Diabo pode ser comprovada no verso 

A) “não cures de mais linguagem.”

B) “Oh! Que má-hora venhais,”

C) “onzeneiro meu parente!”

D) “não vos livrar o dinheiro.”

E) “Para onde tu hás-de ir;”

 

Questão 28

Sobre o Auto da Barca do Inferno, do escritor português Gil Vicente, assinale a alternativa incorreta.

A) Personagens como o Onzeneiro, o Fidalgo e o Sapateiro, representam tipos sociais contra os quais o autor tece sua crítica, em forma de sátira.
B) O elemento religioso presente no auto é originário da rica tradição do teatro popular medieval.
C) A concepção de mundo cristã, marcada pela simplicidade e de forte teor popular, aproxima o auto de Gil Vicente do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.
D) O uso de uma linguagem solene, austera e requintada caracteriza a personagem Diabo, diferenciando-a das demais personagens, cuja linguagem é coloquial, irônica e jocosa.
E) O recurso à alegoria pode ser percebido ao longo de toda a obra, como, por exemplo, na personagem Frade, uma alegoria à corrupção do clero português.

 

Questão 29

Leia o texto abaixo pautado para responder ao que se pede:

 

Frade

Corpo de Deus consagrado!

Pela fé de Jesus Cristo

que não posso entender isto!

Hei de ser eu condenado?

Um padre tão namorado,

tão dedicado à virtude!

Dê-me Deus tanta saúde

quanto estou maravilhado.

 

Diabo

Deixemos de mais demora.

Embarcai e partiremos.

Tomareis um par de remos.

 

Frade

No ajuste isto não vigora.

 

Diabo

Pois vai na sentença, agora.

 

Frade

Não esperava por ela.

Não vai em tal caravela

minha senhora Florença.

Como, por ser namorado

e folgar com uma mulher

há de um frade se perder

com tanto salmo rezado?

 

Diabo

Ora, estás bem preparado.

 

Frade

E tu, bem mais prevenido.

 

Diabo

Devoto, padre e marido,

aqui serás castigado.

 

(Gil Vicente - Auto da Barca do Inferno)

 

 A última fala do diabo, revela-nos que o teatro de Gil Vicente, especificamente este Auto da barca do Inferno, pode ser visto também como uma  espécie de tribunal, onde os homens são julgados segundo o que fizeram em suas vidas. Sendo assim, é possível afirmar que:

 

a) o teatro vicentino apresenta preocupação político-social, pois seu autor defende as classes menos favorecidas, excitando uma considerável revolta social.

b) Gil Vicente contemplou a sociedade de sua época através de um olhar crítico, que lhe permitiu condenar livremente as pessoas que deveriam ir para o Inferno pagar os pecados cometidos em vida.

c) o diabo é uma figura decisiva nesta peça, pois é ele quem julga as pessoas. Com isso, Gil Vicente queria transmitir ao público a ideia de que só o mal pode julgar o mal, enquanto o papel do bem consistia em apenas contemplar a condenação irreversível de todos os homens.

d) o fato de o diabo atuar como um juiz caracteriza uma crítica à classe dos juízes, dos advogados, dos procuradores e dos corregedores. Gil Vicente defendia a ideia de que só Deus pode determinar o destino dos homens, independentemente das decisões humanas.

e) o teatro de Gil Vicente está sustentado pela ética católica medieval. Daí o julgamento dos homens segundo uma perspectiva maniqueísta (anjo e diabo = céu e inferno, respectivamente). Essa interpretação aparece no Auto da barca do Inferno através da crítica ao comportamento e às práticas morais da época.

 

Questão 30

Indique a afirmação correta sobre o Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente:


a) É intrincada a estruturação de suas cenas, que surpreendem o público com o inesperado de cada situação.

b) O moralismo vicentino localiza os vícios não nas instituições, mas nos indivíduos que as fazem viciosas.

c) É complexa a crítica aos costumes da época, já que o autor é o primeiro a relativizar a
distinção entre o Bem e o Mal.

d) A ênfase desta sátira recai sobre as personagens populares, as mais ridicularizadas e as mais severamente punidas.

e) A sátira é aqui demolidora e indiscriminada, não fazendo referência a qualquer exemplo de valor positivo.

 

Questão 31

Sobre o trovadorismo (lírica medieval portuguesa), numere a segunda coluna de acordo com a primeira.

(1) Cantigas de amor. 
(2) Cantigas de amigo.
(3) Cantigas de maldizer.
(4) Cantigas de escárnio.

( ) Sátiras indiretas, não explicitando o nome da pessoa satirizada.
( ) Eu-lírico feminino.
( ) Presença de agressões verbais e de palavrões. 
( ) O tema principal é o amor não correspondido.

A ordem correta da enumeração da segunda coluna, de cima para baixo, está em qual alternativa?      

A) 3 – 2 – 4 – 1.  
B) 4 – 2 – 3 – 1.  
C) 1 – 2 – 3 – 4.  
D) 3 – 1 – 2 – 4.  
E) 4 – 3 – 1 – 2.
  

 

 Gabarito

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